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29/12/2010 10:18:05

Carreira do SUS tenta levar médicos ao interior

Proposta, que será entregue ao Ministério do Planejamento, prevê a rotatividade de profissionais de saúde

O Ministério da Saúde vai apresentar nesta semana ao Ministério do Planejamento a proposta de criação da carreira do SUS. O projeto, preparado desde setembro, pretende oferecer médicos a cidades com dificuldade no recrutamento de profissionais. Estima-se que 500 municípios do País não tenham médicos que residam na cidade.

O projeto foi apresentado na semana passada ao ministro José Gomes Temporão pelo grupo de trabalho, formado por representantes de associações médicas e secretarias estaduais e municipais de Saúde. "Será uma espécie de Força Nacional de Saúde", disse o secretário de Gestão do Trabalho e de Educação na Saúde da pasta, Francisco Campos.

A proposta prevê que a seleção será feita por concurso público. Cidades cadastradas para participar do projeto receberiam profissionais contratados pelo ministério. Ela prevê rotatividade dos médicos em um sistema semelhante ao que ocorre nas carreiras jurídicas. "Na primeira cidade, o médico ficaria pelo menos três anos. Depois disso, ele seria transferido para um local próximo", contou o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá.

Resistência. A nova carreira foi pensada em um formato para quebrar a resistência apresentada por médicos para trabalhar em áreas distantes. Segundo Campos, a falta de interesse não é vencida só com altos salários.

Ele observa que médicos temem ficar desatualizados quando trabalham em locais distantes e não encontrar condições adequadas para exercer a profissão. A rotatividade ajudaria a convencê-los. "A proposta prevê educação continuada. Cidades dispostas a participar teriam o compromisso de oferecer condições mínimas de trabalho", afirmou Tibiriçá. Segundo ele, secretarias estaduais podem ajudar na infraestrutura dos serviços.

Campos afirmou que, no primeiro momento, a força será composta só de médicos. "O grupo de estudo verificou não haver problema para contratação nem de enfermeiros nem de dentistas." A remuneração ficará sob responsabilidade do ministério, mas o valor seria "descontado" dos repasses que a pasta faz para as cidades, mensalmente. O secretário informou que a maior parte dos municípios candidatos para participar do programa são do Norte e do Nordeste.

Tibiriçá contou que o projeto apresentado a Temporão poderá sofrer alguns ajustes. A proposta do grupo é de que, em uma outra etapa, o programa seja ampliado para Programas de Saúde da Família. "Cerca de 30% das equipes não têm médicos, a forma de contratação é precária."

Lígia Formenti / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Fonte: O Estado de São Paulo, em 21.12.10 e site Portal Federativo

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